quarta-feira, 19 de outubro de 2011

❝Chorando com pouca frequência, ultimamente minhas lágrimas só caem por coisas reais… Amores não constam nessa lista.
Ela aprendeu, chorando mas aprendeu, que precisava silenciar seu coração, parar de sentir tanto, de querer tanto. Foi dormir mais cedo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Pedimos desculpa com facilidade na paixão e com extrema dificuldade no amor. 
A convivência nos torna orgulhosos.
Mais vale uma renúncia dolorosa, que permanecer onde seu coração está morrendo de inanição. A concessão sem limites, não é amor, é desespero. E tentar segurar com força alguém que dá indícios de que está indo embora, é a forma mais humilhante de fazer com que ela alargue os próprios passos para longe. Ninguém pode restituir um amor que já foi embora_ seria como tentar levar um punhado de água do mar para outra cidade na concha das mãos. A gente se apaixona pelo amor que o outro tem por ele mesmo, depois pelo amor que descobrimos por nós mesmos. Depois pelo encontro desses dois amores. Querer que o outro fique nunca impediu de que a porta fosse aberta e fechada logo depois, deixando apenas um rastro de perfume e um bocado de dor.
Foi esperando quase nada que um quase tudo apareceu. Simples como um fim de tarde. No começo era medo, incerteza, insegurança surgindo como relâmpago no céu. Depois, uma sensação de pertencimento, de paz, de alegria por encontrar um sentimento desconhecido, mas que fazia bem. Não teve espumante, holofote, tapete vermelho. Foi simples como um fim de tarde. Algum frio na barriga, interrogações deslizando pelas mãos suadas, uma urgência em saber se aquilo era ou não pra ser. É que um dia alguém nos ensina que quando é pra ser a gente sente.

O toque inusitado do telefone mudo há tempos, rasgou o meu dia em duas metades. E, de repente, alguma coisa densa se instalou no ar viciado dessas janelas fechadas do meu quarto. Não era um peso, era a saudade avolumando os resquícios de vento. Era pra ser bom, mas não como antes. Tinha calor, mas dessa vez vinha com mais ternura, sem tanta força_ pra mexer na ferida propondo curas e falar de coisas tristes num tom saudável. A voz mansa do outro lado me convidava pro antigamente. Mas eu com a surpresa dele entulhando a minha voz de sustos, só conseguia respirar fundo no início. Não declamou poemas dessa vez, mas desatou em mim um monte deles, como sempre. E fui dormir mesmo sem sono, porque somente nos meus sonhos a nossa história acaba bem.