Não me sonhe, por favor. Pessoas que acham que podem me amar me ofendem.
domingo, 25 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Só
ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses,
todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder
com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito,
saltos altos, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e
transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares
muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não
ser boa o suficiente. Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade,
meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não
ser bonita e inteligente. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei
que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Mas aí, daqui uns dias…. você
vai me ligar. Querendo tomar aquele café de sempre, querendo me esconder
como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse
amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota,
não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você
me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente
faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos
insistindo.
No fundo, mesmo lendo tanto,
pensando tanto e filosofando tanto, a gente gosta mesmo é de quem é
simples e feliz. A gente não se apaixona por quem vive reclamando e
amassando jornais contra a parede. A gente se apaixona por esses
tipinhos banais que vivem rindo. E a gente se pergunta: que é que ele
tem que brilha tanto? Que é que ele tem que quando chega ofusca todo o
resto?
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Solidão? O que acontece é que a
gente procura os outros para se livrar de si mesma. A intolerável
companhia que eu me faço. Preciso dos outros para não chegar àquele
ponto altamente intolerável do encontro comigo. Eu sou exatamente: zero.
E tanto se me dá. Conselho: fique de vez em quando sozinho, senão você
será submergido. Até o amor excessivo dos outros pode submergir uma
pessoa.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Mais vale uma renúncia dolorosa, que permanecer onde seu coração está
morrendo de inanição. A concessão sem limites, não é amor, é desespero. E
tentar segurar com força alguém que dá indícios de que está indo
embora, é a forma mais humilhante de fazer com que ela alargue os
próprios passos para longe. Ninguém pode restituir um amor que já foi
embora_ seria como tentar levar um punhado de água do mar para outra
cidade na concha das mãos. A gente se apaixona pelo amor que o outro tem
por ele mesmo, depois pelo amor que descobrimos por nós mesmos. Depois
pelo encontro desses dois amores. Querer que o outro fique nunca impediu
de que a porta fosse aberta e fechada logo depois, deixando apenas um
rastro de perfume e um bocado de dor.
Foi esperando quase nada que um quase tudo apareceu. Simples como um fim
de tarde. No começo era medo, incerteza, insegurança surgindo como
relâmpago no céu. Depois, uma sensação de pertencimento, de paz, de
alegria por encontrar um sentimento desconhecido, mas que fazia bem. Não
teve espumante, holofote, tapete vermelho. Foi simples como um fim de
tarde. Algum frio na barriga, interrogações deslizando pelas mãos
suadas, uma urgência em saber se aquilo era ou não pra ser. É que um dia
alguém nos ensina que quando é pra ser a gente sente.
O toque inusitado do telefone mudo há tempos,
rasgou o meu dia em duas metades. E, de repente, alguma coisa densa se
instalou no ar viciado dessas janelas fechadas do meu quarto. Não era um
peso, era a saudade avolumando os resquícios de vento. Era pra ser bom,
mas não como antes. Tinha calor, mas dessa vez vinha com mais ternura,
sem tanta força_ pra mexer na ferida propondo curas e falar de coisas
tristes num tom saudável. A voz mansa do outro lado me convidava pro
antigamente. Mas eu com a surpresa dele entulhando a minha voz de
sustos, só conseguia respirar fundo no início. Não declamou poemas dessa vez, mas desatou em mim um monte deles,
como sempre. E fui dormir mesmo sem sono, porque somente nos meus sonhos
a nossa história acaba bem.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Paciência é a maior virtude, agora sei. Ainda bem que a tive para
perceber que seu lugar é mesmo do outro lado da rua, com outras pessoas.
O bom senso me devolveu a paz que quase perdi por recear aceitar que
minha felicidade está na calma e não na sua cama.
Sua infância mal ultrapassada. Seu armário trancado demais. A falta de
palavras. O excesso de ausência. Tudo minou até a minha incrível
capacidade de persistir: não dá pra apostar o futuro numa mesa em que o
maior prêmio é um orgasmo e um beijo na testa.
Pra mim, você simplesmente não vale a pena.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Eu só soube que estava tudo errado com as minhas atitudes quando elas
não serviram mais pra sustentar minha leveza. Foi quando tudo que antes
era divertido terminou por me machucar … Quando tive que começar a me
explicar demais, quando meus personagens foram morar nos meus atores e
comecei a viver realmente as dores que inventei, foi quando decidi matar
a autora de tantos dramas pra cuidar da casa enquanto reavaliava quais
seriam meus próximos passos.
Liguei os pontos, encaixei as peças, entendi a trama. Foi uma mentirada
tão grande, um engano tão inacreditável, um contexto tão absurdo, que
custei a acreditar. Foi dessas traições de fazer confiança tremer de
susto e doer de tristeza.(…) Foi dessas armadilhas inimagináveis que,
olhando direito, às vezes são armadas até com o nosso auxílio,
distraídos que estávamos em territórios que nos pareciam megaseguros.
Não, não foi a primeira vez e provavelmente não seria a última. Eu
confiei, sim, e não me arrependo nem um centímetro, olhando daqui. Pra
confiar é preciso viver com o coração. Eu vivo.
Faz alguns meses que ando sem dizer nada, mas pensando o seguinte: à
parte da proporção e do tamanho, não existe muita diferença entre as
pequenas notícias que registro por aqui e aquelas que ocupam os jornais
importantes; assim como não há grande diferença entre aquele que acerta
um passarinho (e ri as risadas de vitorioso) e essas figuras que ocupam
os nossos livros de História. Com um pouco mais de poder e,
consequentemente, ampliado o tamanho da pedra, seriam as mesmas pessoas
capazes de bombardear o mundo.
Você reclamava que eu não dizia seu nome e isso era só porque eu o
estava dizendo o tempo todo. Meu cérebro martelava o som das suas
referências e imprimia tanto você que eu precisava falar de mim daquele
jeito pra tentar existir além do que eu me tornava. Você era tudo quando
reclamava que eu andava estranha ao telefone, sem dar importância.
Quando eu não parecia te ouvir, eu estava ouvindo suas milhares de vozes
e tentando dar conta de gostar de tanta gente diferente que era gostar
de você.
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