segunda-feira, 26 de setembro de 2011


Tem gente que entra na nossa vida de forma providencial e se encaixa naquela história que gosto de imaginar: surpresas que Deus embrulha pra presente e nos envia no anonimato. Surpresas que só sabemos de onde vêm porque chegam com o cheiro dele no papel.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011


Paciência é a maior virtude, agora sei. Ainda bem que a tive para perceber que seu lugar é mesmo do outro lado da rua, com outras pessoas. O bom senso me devolveu a paz que quase perdi por recear aceitar que minha felicidade está na calma e não na sua cama.
Sua infância mal ultrapassada. Seu armário trancado demais. A falta de palavras. O excesso de ausência. Tudo minou até a minha incrível capacidade de persistir: não dá pra apostar o futuro numa mesa em que o maior prêmio é um orgasmo e um beijo na testa.
Pra mim, você simplesmente não vale a pena.

Ah, vai! Me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém afim de te acompanhar.

"É por isso que você se complica tanto”, sussurrou em meu ouvido. “Você precisa parar de tentar entender. Coisa boa não se entende, se vive"

Mas se você quiser ir, você quem sabe. Vou te guardar no coração, assim como todos que já foram embora.


O que a gente gosta, a gente guarda. Quem ama a gente, a gente cuida. E pro resto a gente mostra a língua.


Eu construo castelos mesmo sabendo que eles, cedo ou tarde, irão desmoronar. E eu reconstruo um por um, incansavelmente, porque eu sei que um dia a vida vai se cansar de brincar de esconde-esconde comigo e vai entender meus milhões de sorrisos e me sorrir de volta.

- Sabe qual é o seu problema? Você não deixa as pessoas com gostinho de quero mais.
- Como assim?
- Você distribui doce todo dia. Isso enjoa!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Rezar muito. E ter. Porque as coisas estão todas amarradinhas em Deus.
Cada dia uma nova descoberta. Sou tudo o que abri mão. E aí está o valor das escolhas por onde vou. Os caminhos que não achei eu mesma fiz.
Então eu deixo algumas coisas passarem incompletas porque tenho consciência de que certas palavras ainda não têm tradução.
Eu só soube que estava tudo errado com as minhas atitudes quando elas não serviram mais pra sustentar minha leveza. Foi quando tudo que antes era divertido terminou por me machucar … Quando tive que começar a me explicar demais, quando meus personagens foram morar nos meus atores e comecei a viver realmente as dores que inventei, foi quando decidi matar a autora de tantos dramas pra cuidar da casa enquanto reavaliava quais seriam meus próximos passos.
Liguei os pontos, encaixei as peças, entendi a trama. Foi uma mentirada tão grande, um engano tão inacreditável, um contexto tão absurdo, que custei a acreditar. Foi dessas traições de fazer confiança tremer de susto e doer de tristeza.(…) Foi dessas armadilhas inimagináveis que, olhando direito, às vezes são armadas até com o nosso auxílio, distraídos que estávamos em territórios que nos pareciam megaseguros. Não, não foi a primeira vez e provavelmente não seria a última. Eu confiei, sim, e não me arrependo nem um centímetro, olhando daqui. Pra confiar é preciso viver com o coração. Eu vivo.
Lágrimas não são argumentos.
Faz alguns meses que ando sem dizer nada, mas pensando o seguinte: à parte da proporção e do tamanho, não existe muita diferença entre as pequenas notícias que registro por aqui e aquelas que ocupam os jornais importantes; assim como não há grande diferença entre aquele que acerta um passarinho (e ri as risadas de vitorioso) e essas figuras que ocupam os nossos livros de História. Com um pouco mais de poder e, consequentemente, ampliado o tamanho da pedra, seriam as mesmas pessoas capazes de bombardear o mundo.
Você reclamava que eu não dizia seu nome e isso era só porque eu o estava dizendo o tempo todo. Meu cérebro martelava o som das suas referências e imprimia tanto você que eu precisava falar de mim daquele jeito pra tentar existir além do que eu me tornava. Você era tudo quando reclamava que eu andava estranha ao telefone, sem dar importância. Quando eu não parecia te ouvir, eu estava ouvindo suas milhares de vozes e tentando dar conta de gostar de tanta gente diferente que era gostar de você.
Liga não, as pessoas são assim mesmo. Umas são o que são, outras fingem que são, algumas pensam que são, tem as que querem ser, as que não conseguem ser, as que precisam ser, as que cansaram de ser e as que vão ser… E tem muito mais, acredito. Mas a melhor de todas elas, são as que são e ainda nos fazem ser.
Acho que estou realmente cansada. Falei demais sobre tudo e continuo no escuro. E a minha recusa em tocar nas coisas me impede de sair tateando em direção à luz. E mais uma vez eu uso palavras pra tentar me defender de algo, de mim. (Talvez eu precise parar de ler Clarice Lispector…)

Talvez eu devesse escrever uma carta em branco pra dizer que quero silenciar: que se o silêncio ainda estiver esperando por mim, eu aceito. Preciso esquecer as palavras, preciso me despedir delas para começar a experimentar a vida com honestidade. Talvez silenciando eu consiga ser mais honesta com você. Eu que precisei escrever tanto pra dizer isto: que preciso silenciar.

(Talvez eu só tenha escrito isso tudo pra conseguir chorar… E usar a palavra “talvez” pode ser o início do abandono de tantas certezas; o início do uso mais corriqueiro da frase “eu não sei”.)

Talvez isso seja um começo de alguma coisa.
Talvez isso seja um fim.
Talvez sejam apenas hormônios…
Mas isso tudo se parece muito com tristeza…
Eu não sei.

Eu sou estas reticências entre parênteses: (…)
Fazer as malas se tornou um hábito diário. A rotina de dizer adeus, o ensaio de deixar tudo para trás. Quantas vezes vou me despedir e compatilhar meus planos? Quantas vezes até chegar o dia de verdade?
A falta que eu sinto das pessoas que foram é pelo o que elas não foram.
Eu entendo que talvez eu tenha sido cruel com alguns destinos dos meus personagens, mas a vida toda é essa oscilação de boa sorte e tempos miseráveis em que tudo que a gente pode fazer é esperar e pagar pra ver… Ou rezar pra que passe logo, ou pedir pra que o tempo pare. Essa negociação eterna que todos fazem durante seus dias, pra que sejam úteis também os sábados, domingos e feriados, eu faço com a palavra. Eu sei que ela não silencia, mesmo quando digo que. Silenciar não é emudecer. Mas ela muda de casa, ela explora outras áreas, ela viaja pra outros templo..
Que na esquina de todas as dores, o amor seja o aconchego, o colo de que se necessita. Que na travessia da solidão, haja o preenchimento de nós mesmos por dentro como a melhor companhia. Que não falte amparo quando o abraço esperado estiver longe. E que na nossa rotina de dores e amores que ficam e vão, que mesmo com todas as lacunas e vãos possamos cumprir, nesta existência, lindamente nossa missão.
Quando um sorriso começa a morar no nosso olhar, parece mágica: um monte de coisas, às vezes até sisudas, começam a sorrir pra gente, de repente.

Subitamente, a sensação de chegada de um outro alguém já era presença.Foi custoso pra ela entender o que uma pessoa podia trazer de novidade e poesia só por sorrir daquele jeito de quem se entrega à risada. Tinha bonitezas demais naquele interesse dele: arregalava o corpo pra ouvir a frase que ela dizia, sem precisar escolher o tema_ era só elogiar o céu ou o mar, ou a cor dos dois.
(E, na soberania dessa simplicidade, a coisa toda se deu.)

domingo, 11 de setembro de 2011

Amanhã é outro dia. Aprendi isso ontem.
Não deixe que ele seja sua asa, no máximo um motivo para voar. Asas não nascem de novo, motivos sim.
Todas as coisas nos ensinam que são o que são - neste plano, pura ilusão. A questão (...) é que existem outros planos.
Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… e continuo indo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Não vou atrás de ninguém. Não mais. Eu não quero me apegar em ninguém, não quero precisar de ninguém.
Deveria chamar-te claridade, pelo modo espontâneo, franco e aberto, com que encheste de cor meu mundo escuro.
Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga.
E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.
(Então eu pego o passado, e transformo em poesia-ou-coisa-assim.)
Queria que você gostasse de mim por mim. Caótico, distraído, perigosamente despreocupado. Meio despenteado, tão preocupado com coisas vagas. Queria que você também se encantasse com minhas imperfeições.
E repito cem vezes que não gosto de você. Não gosto de você. Não gosto de você. Não gosto de você. Porque se eu gostar de você, eu sei que você vai embora.
Gosto de olhar as pedras e os desenhos do vento na superficie da água, gosto de sentir as modificações da luz quando o sol está desaparecendo, gosto de sentir o dia se transformando em noite e em dia outra vez, gosto de olhar crianças brincando e das árvores que existem no meio da minha rua — gosto de pensar que vou sempre ter olhos para gostar dessas coisas, e por mais sozinho ou triste que eu esteja vou ter sempre esse olhar sobre as coisas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011






Vamos pronunciar cuidados. Vamos nos envolver em abraços. Vamos viver o que chega assim, limpinho, sem apertar o peito.
Fique de vez em quando sozinho, senão você será submergido. Até o amor excessivo dos outros pode submergir uma pessoa.
Ando tropeçando em absurdos. Em desassossegos também. Tem gente que tirou o mês pra me chatear, me colocar pra baixo, me jogar em cima um amontoado de energias ruins. Tem gente que tem esse dom. De não ser feliz e querer enferrujar o sorriso alheio.


― Tá doendo sim!
― E porque você não fala pra ninguém?
― Por que eu não preciso anunciar o tempo todo que não estou bem. Simples.