Tem gente que entra na nossa
vida de forma providencial e se encaixa naquela história que gosto de
imaginar: surpresas que Deus embrulha pra presente e nos envia no
anonimato. Surpresas que só sabemos de onde vêm porque chegam com o cheiro dele no papel.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Paciência é a maior virtude, agora sei. Ainda bem que a tive para
perceber que seu lugar é mesmo do outro lado da rua, com outras pessoas.
O bom senso me devolveu a paz que quase perdi por recear aceitar que
minha felicidade está na calma e não na sua cama.
Sua infância mal ultrapassada. Seu armário trancado demais. A falta de
palavras. O excesso de ausência. Tudo minou até a minha incrível
capacidade de persistir: não dá pra apostar o futuro numa mesa em que o
maior prêmio é um orgasmo e um beijo na testa.
Pra mim, você simplesmente não vale a pena.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Eu só soube que estava tudo errado com as minhas atitudes quando elas
não serviram mais pra sustentar minha leveza. Foi quando tudo que antes
era divertido terminou por me machucar … Quando tive que começar a me
explicar demais, quando meus personagens foram morar nos meus atores e
comecei a viver realmente as dores que inventei, foi quando decidi matar
a autora de tantos dramas pra cuidar da casa enquanto reavaliava quais
seriam meus próximos passos.
Liguei os pontos, encaixei as peças, entendi a trama. Foi uma mentirada
tão grande, um engano tão inacreditável, um contexto tão absurdo, que
custei a acreditar. Foi dessas traições de fazer confiança tremer de
susto e doer de tristeza.(…) Foi dessas armadilhas inimagináveis que,
olhando direito, às vezes são armadas até com o nosso auxílio,
distraídos que estávamos em territórios que nos pareciam megaseguros.
Não, não foi a primeira vez e provavelmente não seria a última. Eu
confiei, sim, e não me arrependo nem um centímetro, olhando daqui. Pra
confiar é preciso viver com o coração. Eu vivo.
Faz alguns meses que ando sem dizer nada, mas pensando o seguinte: à
parte da proporção e do tamanho, não existe muita diferença entre as
pequenas notícias que registro por aqui e aquelas que ocupam os jornais
importantes; assim como não há grande diferença entre aquele que acerta
um passarinho (e ri as risadas de vitorioso) e essas figuras que ocupam
os nossos livros de História. Com um pouco mais de poder e,
consequentemente, ampliado o tamanho da pedra, seriam as mesmas pessoas
capazes de bombardear o mundo.
Você reclamava que eu não dizia seu nome e isso era só porque eu o
estava dizendo o tempo todo. Meu cérebro martelava o som das suas
referências e imprimia tanto você que eu precisava falar de mim daquele
jeito pra tentar existir além do que eu me tornava. Você era tudo quando
reclamava que eu andava estranha ao telefone, sem dar importância.
Quando eu não parecia te ouvir, eu estava ouvindo suas milhares de vozes
e tentando dar conta de gostar de tanta gente diferente que era gostar
de você.
Liga não, as pessoas são assim mesmo. Umas são o que são, outras fingem
que são, algumas pensam que são, tem as que querem ser, as que não
conseguem ser, as que precisam ser, as que cansaram de ser e as que vão
ser… E tem muito mais, acredito. Mas a melhor de todas elas, são as que
são e ainda nos fazem ser.
Acho que estou realmente cansada. Falei demais sobre tudo e continuo no
escuro. E a minha recusa em tocar nas coisas me impede de sair tateando
em direção à luz. E mais uma vez eu uso palavras pra tentar me defender
de algo, de mim. (Talvez eu precise parar de ler Clarice Lispector…)
Talvez eu devesse escrever uma carta em branco pra dizer que quero silenciar: que se o silêncio ainda estiver esperando por mim, eu aceito. Preciso esquecer as palavras, preciso me despedir delas para começar a experimentar a vida com honestidade. Talvez silenciando eu consiga ser mais honesta com você. Eu que precisei escrever tanto pra dizer isto: que preciso silenciar.
(Talvez eu só tenha escrito isso tudo pra conseguir chorar… E usar a palavra “talvez” pode ser o início do abandono de tantas certezas; o início do uso mais corriqueiro da frase “eu não sei”.)
Talvez isso seja um começo de alguma coisa.
Talvez isso seja um fim.
Talvez sejam apenas hormônios…
Mas isso tudo se parece muito com tristeza…
Eu não sei.
Eu sou estas reticências entre parênteses: (…)
Talvez eu devesse escrever uma carta em branco pra dizer que quero silenciar: que se o silêncio ainda estiver esperando por mim, eu aceito. Preciso esquecer as palavras, preciso me despedir delas para começar a experimentar a vida com honestidade. Talvez silenciando eu consiga ser mais honesta com você. Eu que precisei escrever tanto pra dizer isto: que preciso silenciar.
(Talvez eu só tenha escrito isso tudo pra conseguir chorar… E usar a palavra “talvez” pode ser o início do abandono de tantas certezas; o início do uso mais corriqueiro da frase “eu não sei”.)
Talvez isso seja um começo de alguma coisa.
Talvez isso seja um fim.
Talvez sejam apenas hormônios…
Mas isso tudo se parece muito com tristeza…
Eu não sei.
Eu sou estas reticências entre parênteses: (…)
Eu entendo que talvez eu tenha sido cruel com alguns destinos dos meus
personagens, mas a vida toda é essa oscilação de boa sorte e tempos
miseráveis em que tudo que a gente pode fazer é esperar e pagar pra ver…
Ou rezar pra que passe logo, ou pedir pra que o tempo pare. Essa
negociação eterna que todos fazem durante seus dias, pra que sejam úteis
também os sábados, domingos e feriados, eu faço com a palavra. Eu sei
que ela não silencia, mesmo quando digo que. Silenciar não é emudecer.
Mas ela muda de casa, ela explora outras áreas, ela viaja pra outros
templo..
Que na esquina de todas as dores, o amor seja o aconchego, o colo de que
se necessita. Que na travessia da solidão, haja o preenchimento de nós
mesmos por dentro como a melhor companhia. Que não falte amparo quando o
abraço esperado estiver longe. E que na nossa rotina de dores e amores
que ficam e vão, que mesmo com todas as lacunas e vãos possamos cumprir,
nesta existência, lindamente nossa missão.
Subitamente, a sensação de chegada de um outro alguém já era presença.Foi custoso pra ela entender o que uma pessoa podia trazer de novidade e poesia só por sorrir daquele jeito de quem se entrega à risada. Tinha bonitezas demais naquele interesse dele: arregalava o corpo pra ouvir a frase que ela dizia, sem precisar escolher o tema_ era só elogiar o céu ou o mar, ou a cor dos dois.(E, na soberania dessa simplicidade, a coisa toda se deu.)
domingo, 11 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
“Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga.
E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.
(Então eu pego o passado, e transformo em poesia-ou-coisa-assim.)”
Gosto de olhar as pedras e os desenhos do vento na superficie da água, gosto de sentir as modificações da luz quando o sol está desaparecendo, gosto de sentir o dia se transformando em noite e em dia outra vez, gosto de olhar crianças brincando e das árvores que existem no meio da minha rua — gosto de pensar que vou sempre ter olhos para gostar dessas coisas, e por mais sozinho ou triste que eu esteja vou ter sempre esse olhar sobre as coisas.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
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