Acho que estou realmente cansada. Falei demais sobre tudo e continuo no
escuro. E a minha recusa em tocar nas coisas me impede de sair tateando
em direção à luz. E mais uma vez eu uso palavras pra tentar me defender
de algo, de mim. (Talvez eu precise parar de ler Clarice Lispector…)
Talvez eu devesse escrever uma carta em branco pra dizer que quero
silenciar: que se o silêncio ainda estiver esperando por mim, eu aceito.
Preciso esquecer as palavras, preciso me despedir delas para começar a
experimentar a vida com honestidade. Talvez silenciando eu consiga ser
mais honesta com você. Eu que precisei escrever tanto pra dizer isto:
que preciso silenciar.
(Talvez eu só tenha escrito isso tudo pra conseguir chorar… E usar a
palavra “talvez” pode ser o início do abandono de tantas certezas; o
início do uso mais corriqueiro da frase “eu não sei”.)
Talvez isso seja um começo de alguma coisa.
Talvez isso seja um fim.
Talvez sejam apenas hormônios…
Mas isso tudo se parece muito com tristeza…
Eu não sei.
Eu sou estas reticências entre parênteses: (…)
